A Exclusão Social no Contexto Educacional

A exclusão social no contexto educacional

A exclusão social no contexto educacional

Quando se fala em exclusão social, lembra-se sempre da falta de acesso aos direitos sociais garantidos pela Constituição Brasileira. De acordo com esta, “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”, contudo, na prática a igualdade não prevalece e a distinção existe e provoca a exclusão.

O contexto histórico brasileiro revela que a exclusão social sempre existiu. O processo de colonização acentuou as diferenças sociais, não somente pela questão econômica, mas, principalmente, pela questão de raça. O modelo de educação jesuítica na sociedade colonial e imperial separava aqueles que mereciam adquirir o conhecimento, pessoas de pele branca e detentoras do poder econômico. No período republicano, o sistema educacional avançou em âmbito estrutural, escolas foram construídas, contudo, grande parcela da população não tinha acesso ao ensino publico. A questão de diferença racial e financeira ainda era bastante acentuada.  Quando hoje se fala em sistema de cotas nas universidades públicas é uma tentativa frustrada do governo de resolver décadas de sonegação educacional imposto à sociedade. A exclusão não é mérito apenas do sistema educacional brasileiro, entretanto, quando ela insiste e persiste em uma nação, impede o desenvolvimento do país.

Somente no período da Primeira Guerra Mundial o sistema educacional foi diretamente questionado. Campanhas contra o analfabetismo foram intensificadas, lutas a favor da qualidade do sistema público de ensino e por melhoria de salário e condições de trabalho para os profissionais da educação emergiram. Há um atraso significativo nesse questionamento. Toda a discussão a respeito da educação persiste, mas pouco progride. É comum se déssemos um passo de evolução e retrocedêssemos dois. As políticas públicas de educação trabalham em informatizar, trazer a tecnologia para a sala de aula, mas esquece de habilitar o professor para essa nova realidade. Também mudam o contexto educacional em prol de uma pedagogia transformadora, construtiva que mais confunde do que orienta, há muita utopia e pouca prática. As horas de discussões nos encontros educacionais, anos de estudo no ensino superior não habilitam o professor para os problemas diários que ele enfrentará em sala de aula. Há toda uma carga de conhecimento científico repassado para ser aplicada em um universo de apenas doze alunos em uma sala de aula, enquanto a realidade oferece três vezes essa quantidade e apenas 50 minutos de aula semanais.

A exclusão social no contexto educacional

A exclusão social no contexto educacional

Nesse impasse, tem-se a figura do professor que também se sente excluído e sonegado tanto quanto seus aprendizes. O professor enfrenta problemas de salário insuficiente, falta de incentivo à formação acadêmica, sobrecarga de trabalho, violência escolar, péssimas condições de trabalho, dentre tantos outros situações diárias. Todavia, seu papel ainda é de formação de opinião, de facilitador do conhecimento. Para ele foi dado o bônus ou ônus – não se sabe até que ponto é uma coisa ou outra – de mudar a mente de uma nação. O professor, independente da disciplina que leciona, pode e deve conscientizar seus alunos quanto a seus direitos e deveres sociais. Professor é aquele que repassa o conhecimento científico específico, educador é o que forma cidadão, o ser politizado.

O que a sociedade espera do professor hoje é que ele seja o salvador do país, que mude a nação apenas com um piloto na mão. Espera-se que o professor combata a exclusão, que torne a sala de aula em um lugar de inclusão. Nesse discurso, o governo realiza a campanha de inclusão escolar em que alunos portadores de deficiência física e/ou mental possam ter aulas regulares com outros aprendizes, porém não especializa os profissionais para essa nova realidade. Dessa forma, a exclusão é disfarçada por meio desta atitude e as outras formas dela prevalecem, como, por exemplo, as formas de avaliação dos processos seletivos que revelam o extremo caráter exclusivo. Exclusivo também no sentido de exclusividade para poucos, pois a educação cada vez torna-se cara.

Não podemos negar que diferente do passado, na atualidade o acesso à educação é maior. Independente de raça ou condição financeira o governo oferece o ensino público, nesse sentido não há exclusão, ela existe quando se fala de qualidade educacional. Para ter educação de qualidade é preciso investimento financeiro elevado. As redes privadas se tornam exclusivas para quem tem maior poder aquisitivo, e necessárias para capacitar os aprendizes a concorrer ao processo seletivo das universidades públicas.  De uma forma ou de outra, antes ou agora, a educação tenta provar que não exclui, que quando fornece o conhecimento através de seu professor está abrindo portas para os aprendizes, dando oportunidades. De fato, todo conhecimento abre portas, mas com a qualidade da educação atual, essas portas só abrem para poucos.

Clóvis Carvalho. 

Fundamentos da Educação.

Leia também: O Professor e o Material Didático

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